A cabeça de Medusa,
mesmo depois de arrancada por Perseu, ainda transformava em pedra quem a
olhasse.
Do sangue que jorrava
de seu corpo morto, nasceu Pégasus, o cavalo alado.
A força não é um dom, e
sim um exercício de obstinação. Uma derrota poder ser apenas o começo. A vitória de Perseu, que presenteou Diana, a
Deusa, com a cabeça da górgona, fez de Medusa um exemplo do bem que vem do mal.
Uma pequena amostra da
capacidade que temos em transformar nossa dor em crescimento, morte em vida.
Somos capazes de transcender limites inimagináveis, com a energia que
produzimos dentro de nós. Capazes de transformar em pedra quem nos teme e
odeia, e mesmo sendo vitima de um destino cruel, deixar brotar algo tão
sublime.
O poema Sangue de Medusa
Dos olhos tristes
que transformam em pedra,
espelham o coração
também transformado em pedra.
Que mulher nunca quis
ser outra?
Por achar que o que
jorrava de suas frestas
não a ajudavam a ser honesta?
Não é como lúcifer
que quis ser luz ou Deus,
mas por proteção
e bem querer demais ao seus.
Na caverna fria
Medusa espera a espada
que virá das mãos do herói
que mata em nome dos deuses
dando a cabeça como um troféu
a um deles que a usará para
matar mais mil vezes.
E o poder que antes era maldito,
nas mãos de alguém do Olimpo
passa a ser uma vitória sobre o mal,
trunfo bonito.
O corpo cai,
o sangue jorra
e a (sobre) vida de Medusa se esvai.
E do líquido que escorre
do que restou da cabeça, do corte
nasce Pégasus, o cavalo alado
que mesmo vindo iluminado
fruto tão belo, nascido sem pecado
jamais limpará o nome
da criatura cercada de pedras
por todos os lados.
(Isto seria para um livro que provavelmente jamais será publicado. Escrito em 10/05/2004)