O Sangue de Medusa


DEZEMBRO




Defronte da árvore
luzes, enfeites, brilhos
bolas em estribilho,
a face deformada
na figura côncava da bola
infância perdida, relembrada.

Silenciosa e falante
a imponência verde, brilhante,
de memórias agrupadas,
músicas e orações cantadas,
novenas natalinas juntas
ressuscitadas pelo velho de barba.

Sentimentos que retomam corpo
na estação do paradoxo
de tristeza e conforto
ao se juntar a quem
ficou mais um pouco.

Sem sapatinhos ou sinos
a triste alegria das festas,
faz com que fique menor
colocando em segundo plano
o aniversário de jesus menino.


19/12/2003